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Lembranças

Tem dias que eu me pego capaz de dar uma perna, um braço, qualquer coisa, pela possibilidade de voltar no tempo. Poder fazer algumas coisas diferentes, aproveitar melhor algumas experiências. Infelizmente nada disso é possível, por maior que seja a minha vontade.

Sábado fui para São Paulo com o namorado e com dois amigos para ver o show do Ian Anderson, e, como todas as vezes que eu vou para lá acontece, fui invadida por um sentimento agridoce de profunda saudade do meu avô paterno.

Eu e minhas irmãs passavamos as férias escolares com os avós, ora em Rio Claro, ora em São Paulo. Revezávamos para que eles não ficassem sobrecarregados com a energia de três crianças em plena euforia das férias. Esse período do ano era o mais esperado por mim, ia com o vô na feira, ele me segurava forte a mão com medo que eu me soltasse e saísse correndo e, como boa bicho do mato que sou, me perdesse dele. O jeito que o meu avô segurava a nossa mão era só dele, eu tenho certeza que as minhas irmãs também se lembram. A vó nos fazia gemada, e não era igual a de ninguém nesse mundo todo. E os bolos? Tentação total!!

Após o almoço o vô ia para a sala “assistir o Chaves” (na verdade ele tirava um cochilo assim que a música começava) e as meninas ajudavam a vó a arrumar a cozinha, contando as novidades da escola, da família… Depois íamos brincar no quintal, ler gibi, andar de bicicleta…

Se eu soubesse que meu tempo com eles seria tão curto, teria deixado a bicicleta e o gibi de lado e teria pedido para ouvir mais histórias… Teria ficado ainda mais sentadinha no sofá enroscada entre as pernas da vó, a coberta e o poodle Chip, que era o mais companheiro e obediente dos cachorros. Teria aproveitado para rir mais quando o vô falava alguma coisa para irritar a vó, só para sacanear, e enquanto ela reclamava ele nos olharia e daria uma piscadela com uma cara de sarrista incomparável.

Saudades, nossa!!!

O vô faleceu em janeiro de 2008. A vó está muito saudável e forte, com a graça de Deus, mas sofre de Alzheimer, o que faz com que as histórias e a sua autonomia tenham diminuido tanto…

Apesar da falta que eu sinto daquelas férias, daqueles dias maravilhosos, só tenho a agradecer ao Criador por ter tido a oportunidade e a honra de dividir  a minha infância com seres tão especiais.

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Músicas

Eu sou movida a música.
Por mais clichê que essa frase pareça, é verdadeira no meu caso. Trabalho, estudo, cozinho, durmo, leio ouvindo música. Fico cantarolando desafinada por tudo quanto é lugar, me envolvo com as melodias, as letras me fazem refletir…

Estou numa vibe meio bittersweet hoje, um dia depois de completar 27 aninhos. Acho que a música que melhor definiria o que estou sentindo hoje seria a espetacular “A lista”, do Oswaldo Montenegro. Curtam a letra aí… E reflitam.

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais…

Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar…

Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?