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A vilanização de tudo e de todos

Sempre que alguma coisa inesperada acontece, seja ela uma tragédia ou algo que nos cause algum descontentamento ou prejuízo, temos a reação quase imediata de buscar culpados, alguma coisa que seja responsável por aquilo que, de uma forma ou de outra, nos inflingiu dor.

Posso citar como exemplo o caso da chacina ocorrida em Realengo, quando Wellington Menezes de Oliveira entrou armado em uma escola e matou a sangue frio crianças entre 12 e 14 anos. O culpado já estava lá: o atirador. Mas só isso não bastava, afinal de contas ele já tinha ceifado a própria vida com um disparo na cabeça. Como poderia então a sociedade apontar dedos, impor o seu julgamento, utilizar o castigo que seria aplicado ao criminoso como um exemplo para aqueles outros que ainda poderiam surgir com a mesma ânsia de exterminar inocentes?
Sendo assim, quem levou a culpa máxima pelo ocorrido foi o tal “bullying” que Wellington sofreu quando estudava nessa mesma escola anos atrás ou os jogos de videogame com passagens violentas que encontraram na casa do atirador.

Gente, pára tudo!
Não foram as brincadeiras que as outras crianças fizeram na escola nem os jogos que o cara jogava que causaram essa tragédia!! Foi uma mente insana, doente, violenta que causou! Não adianta tentar culpar qualquer outra coisa, pois se assim fosse, culpem a cor da meia que ele usava, com certeza meias azuis são mais propensas a causar violência e surtos psicóticos em alguém!!

Imaginem comigo uma cena:
Churrascão, fim de semana, amigos de 20 e poucos anos reunidos, aproveitando o ensejo para ver o filho de um deles que começara a andar a pouco. O pai da criança em questão, 25 anos, moleque ainda, comprou uma arma de chumbinho num shopping qualquer e, como todo bom menino com brinquedo novo, quis mostrar para os amigos. Como não era familiarizado com o brinquedo, manuseando o mesmo acabou disparando acidentalmente e atingiu um dos amigos que estava na festa, que infelizmente precisou ser hospitalizado mas passa bem, sem correr nenhum tipo de risco de morte.

Normal, né?
Não. Nada normal. Porque o pai da criança em questão e dono do brinquedo é o Leandro Castán, zagueiro do Corinthians e, por isso mesmo, uma pessoa pública.

O garoto foi chamado de assassino, chorou em público dando explicações, além do trauma do ocorrido, de ter ferido alguém por quem ele tem carinho ainda precisou lidar com os olhares acusadores da sociedade que o viram, do dia pra noite, como um vilão.

Lamentável. Ridiculo.
Enquanto a sociedade se preocupa em apontar dedos para “culpados”, os verdadeiros culpados continuam por aí, soltos, ferindo nossas crianças, desviando dinheiro público, assassinando nossos vizinhos.
Mas aí ninguém sabe, ninguém viu.

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